Tons da alma

Deve ter uma melodia suave.
Tons agudos, tons amargos.
Talvez como o canto de uma ave,
o superficial que mergulha no âmago…

Despertar em mim o silêncio,
Resgatar a melancolia de ser,
Retratar a não-ilusão do meu ócio.
A morte de se viver…

Sem um fim ou começo
Me interpretar de norte à sul,
Todo o caminho que já conheço,
Aquela velha alma que já fui.

E a música que não toca
Me preenche e me sufoca,
Tortura a minha calma
Me lava a alma.

Carta ao borrão

A vida te acontece
você mergulha
Nada
Começa a afundar
quem te empurrou no mar?
Parece que nunca existiu
a realidade
uma imagem borrada
no fundo do mar
Nunca pertenceu
aos seus sonhos
que parecem morrer
Sufocam
Tudo
O pulmão, de amar
esse queima
Tudo escurece
Se foi, no ar.

Soneto da dor total

Sinto, de olhos bem fechados o silêncio de todo o barulho

Sinto aqui, de olhos bem fechados a surdez do mundo

Calo o nó na garganta, que carrega toda a mudez da alma

Calo esse grito profundo que não ecoa e some no engasgo.

Cada oceano que dos olhos caem carregam uma tonelada de vida

Cada gota, livre e leve, aprisiona toda a liberdade de ser

Esse sal que cai, carrega tudo o que um dia ainda há de ser doce

Esse choro é o fio da liberdade que ainda pode correr por entre o meu ser.

Aqui nesse canto, as palavras aparecem carregando uma melodia num canto

Eu, carrego dentro de mim esse lugar que se chama “solidão”

E, escutando esse canto silencioso, sigo na trilha ínfima do Soul

 

Enfadando, entregue à leveza do vazio, me preencho de toda sensação

Carregando esse leve peso dessa insustentável leveza de ser, tudo se vai…

Eu permaneço, não aconteço, não recomeço, me escureço, íntimo segredo.