Palavras minhas

Eu sou a única coisa que tens.

Sou palavra concreta.

Teu ínfimo na finitude.

Sou o que não tocas,

Mas sentes.

Sou o que te pertence,

Sou o caminho que não foi percorrido.

Sou a poeira que passeia.

No vento

Do ventre.

Soneto da dor total

Sinto, de olhos bem fechados o silêncio de todo o barulho

Sinto aqui, de olhos bem fechados a surdez do mundo

Calo o nó na garganta, que carrega toda a mudez da alma

Calo esse grito profundo que não ecoa e some no engasgo.

Cada oceano que dos olhos caem carregam uma tonelada de vida

Cada gota, livre e leve, aprisiona toda a liberdade de ser

Esse sal que cai, carrega tudo o que um dia ainda há de ser doce

Esse choro é o fio da liberdade que ainda pode correr por entre o meu ser.

Aqui nesse canto, as palavras aparecem carregando uma melodia num canto

Eu, carrego dentro de mim esse lugar que se chama “solidão”

E, escutando esse canto silencioso, sigo na trilha ínfima do Soul

 

Enfadando, entregue à leveza do vazio, me preencho de toda sensação

Carregando esse leve peso dessa insustentável leveza de ser, tudo se vai…

Eu permaneço, não aconteço, não recomeço, me escureço, íntimo segredo.

Crua verdade.

Não há vontade.
Sentido.
-Querer escrever.
Alguém, por favor…
Me arranque,
Arranque deste corpo.
Invólucro.
Neste corpo não há mais.
Palavras.
Sentido.

Amargura… há amargura.
A amargura.
Me libertem, um dia…
-Mas essa é minha!
Trancada em meu poder,
Sem poder…
Morrer… deste corpo.
Correr desta (não) realidade.
Não!
Aceitem esta mentira,
Ela é a minha verdade.