Tons da alma

Deve ter uma melodia suave.
Tons agudos, tons amargos.
Talvez como o canto de uma ave,
o superficial que mergulha no âmago…

Despertar em mim o silêncio,
Resgatar a melancolia de ser,
Retratar a não-ilusão do meu ócio.
A morte de se viver…

Sem um fim ou começo
Me interpretar de norte à sul,
Todo o caminho que já conheço,
Aquela velha alma que já fui.

E a música que não toca
Me preenche e me sufoca,
Tortura a minha calma
Me lava a alma.

Carta ao borrão

A vida te acontece
você mergulha
Nada
Começa a afundar
quem te empurrou no mar?
Parece que nunca existiu
a realidade
uma imagem borrada
no fundo do mar
Nunca pertenceu
aos seus sonhos
que parecem morrer
Sufocam
Tudo
O pulmão, de amar
esse queima
Tudo escurece
Se foi, no ar.